Itália: Trabalhadores protestam em Roma contra flexibilização


Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Roma no sábado (28/03) para protestar contra a reforma trabalhista e a política econômica do primeiro-ministro Matteo Renzi, do Partido Democrático (PD).

Os manifestantes, vindos de toda a Itália, lotaram a Piazza San Giovanni, no ato organizado pelo principal sindicato industrial do país, a Federação de Empregados Operários Metalúrgicos (FIOM), integrante da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL). A praça foi o ponto de concentração de grandes passeatas que partiram de dois locais do centro romano.

Durante o comício, foram cantadas músicas como “Bella ciao” e “Fischia il vento”, ambas canções da resistência contra o fascismo, frente a uma enorme faixa com a principal palavra de ordem da manifestação, “Trabalho, dignidade, igualdade. Para mudar a Itália”.

Um dos pontos altos ocorreu quando 180 músicos da orquestra da Ópera de Roma, todos demitidos recentemente, interpretaram “Nessun dorma”, da ópera “Turandot” de Giacomo Puccini, emocionando o público.

O presidente da FIOM, Maurizio Landini, que está tentando unir a esquerda italiana em uma “coligação social” contra o governo, acusou Renzi de se distanciar dos valores da esquerda. “Hoje começa uma nova primavera para a Itália. Estamos prontos para a batalha, sabendo que temos mais apoio que o governo”, disse Landini aos militantes, que agitavam bandeiras vermelhas da federação e de agrupações de esquerda.

Segundo o dirigente sindical, a manifestação demonstra que “o governo não tem o consenso do país e das pessoas que vivem de seu trabalho”.

A secretária-geral da CGIL, Susanna Camusso, também condenou a reforma trabalhista. “O artigo 18 e todo o Estatuto [do Trabalho] são normas que defendem a liberdade dos trabalhadores. São salvaguardas específicas, e não ideologia. São as que diferenciam o trabalho escravo do moderno (...). Continuaremos com nossas iniciativas, com paralisações e uma greve geral”, afirmou a dirigente.  

 

O artigo 18 do estatuto, em vigor desde 1970, consagra “a liberdade e a dignidade dos trabalhadores, liberdade e a atividade dos sindicatos nos locais de trabalho e as regulações sobre o emprego”, destacou Camusso, indicando que” é precisamente este” o alvo da reforma de Renzi, conhecida como “Job’s Act” (Lei Trabalhista).

Entre outros pontos, a legislação, aprovada pelo Parlamento em fevereiro, suspende a garantia contra demissões sem justa causa em empresas com mais de 15 empregados. Os cortes não precisam ser justificados e as empresas não mais serão obrigadas a recontratar os trabalhadores, mesmo que a Justiça considere a dispensa ilegal ou injustificada. No máximo, precisam indenizar o demitido.

Ao mesmo tempo, o governo aprovou incentivos fiscais para empregadores que assinem contratos por tempo indefinido, como forma de reduzir o trabalho temporário. Estas medidas, de acordo com o primeiro-ministro, diminuirão o desemprego, que já atinge 42% dos italianos com menos de 25 anos.

Numa entrevista concedida na véspera do ato público, Renzi ironizou o protesto. “Amanhã haverá mais uma manifestação contra o governo. Nada de novo”, afirmou.

Tradução: Dilair Aguiar





Alemanha: Professores saem às ruas para exigir melhores condições de trabalho

O sindicato de Educação e Ciência – Wissenschaft und Gewerkschaft Erziehung (GEW) –, junto a outras entidades sindicais do setor público, está organizando greves em toda a Alemanha por aumento salarial e contrato coletivo para cerca de 200 mil professores de escolas públicas. Os trabalhadores cruzaram os braços depois que representantes dos governos dos estados federados alemães (länder) rejeitaram as reivindicações do GEW, suspendendo as negociações.

alemanha

As paralisações tiveram início dia 3 de março e a mobilização varia muito de estado para estado. Os maiores índices de adesão foram registrados nas escolas de Berlim, North Rhine-Westphalia, Baixa Saxônia e Saxônia-Anhalt. No dia 4 de março, em Colônia, cerca de mil professores realizaram uma passeata entre a sede local da Confederação dos Sindicatos Alemães – Deutsche Gewerkschaftsbund (DGB) – e a mundialmente famosa catedral dessa cidade.

As greves de advertência, convocadas a 27 de fevereiro, são sinal da insatisfação dos docentes com o andamento das negociações, cujos principais pontos são um reajuste salarial de 5,5% – ou um aumento mínimo de 175 euros (195 dólares) por mês –, pensões e seguridade. Mas a reivindicação central diz respeito às disparidades entre os dois tipos de regime de trabalho para a categoria no país.

Dependendo do estado onde se trabalha, os professores alemães podem optar – ao menos em teoria – entre ser contratados como servidores públicos de pleno direito (“beamte”) ou empregados regulares (“angestellte”). Os professores contratados pelo segundo regime, cerca de 200 mil, recebem salários mais baixos e não têm os direitos assegurados aos 650 mil docentes servidores plenos que trabalham em escolas públicas.

A proporção entre professores “beamte” e “angestellte” varia consideravelmente, pois, na Alemanha, cada um dos 16 estados federados é responsável pela organização do seu próprio sistema de ensino. Assim, na Bavária, quase todos os professores são servidores plenos, enquanto em North Rhine-Westphalia a proporção é de 80% e em Berlim cai para 50%.
Manifestação dos professores em Colônia

Mesmo fazendo o mesmo trabalho e tendo as mesmas qualificações, os salários, condições e status profissional apresentam grandes diferenças de estado para estado.

“Este sistema é incrivelmente complicado”, declarou o porta-voz do GEW Ulf Rödde, acrescentando que, na verdade, existem 16 sistemas diferentes: “E há muitas disparidades e injustiças entre eles”. Todos os professores que participam das paralisações de advertência são contratados “angestellte”, pois os docentes sob regime “beamte” não podem entrar em greve.

“Precisamos de uma classificação padronizada a nível nacional, de modo que um professor de uma Realschule [ensino médio] da Bavária receba o mesmo salário pago, por exemplo, na Saxônia”, afirmou Rödde.

O sindicato também reivindica uma mudança a longo prazo, explicou o porta-voz. “O GEW tem defendido regras padronizadas para os serviços públicos, o que implicaria, em princípio, abandonar essa situação de dois regimes, de servidores plenos e empregados regulares.”

Tradução Dilair Aguiar

Fonte: http://www.ei-ie.org/en/news/news_details/3452


Espanha: Grupo terapêutico busca aliviar drama do desemprego

Por Esther Ortiz

Conseguir chegar ao fim do mês, assim como a preocupação diária de não saber de onde virá a próxima refeição, é a realidade enfrentada por milhões de trabalhadores e trabalhadoras na Espanha. Existe contudo outra questão relacionada à crise que também é dominante, mas muito mais difícil de perceber: a depressão.

Carmen Ramos, costureira desempregada há dois anos, explica ao Equal Times: “tenho 52 anos e me sinto inútil. Me dizem em todos os lugares que estou velha demais para trabalhar. Minha família e meus amigos tentam ajudar-me, mas eu me isolo muito”.

Sentindo-se sozinha e desanimada, Carmen trancou-se em casa até que um psicólogo a colocou em contato com o Psicologia Solidária (PS), um projeto de terapia gratuita desenvolvido no centro social La Tabacalera, no bairro madrilenho de Lavapiés.

Organizado por psicólogos, agentes comunitários e assistentes sociais, o serviço gratuito de orientação psicológica foi iniciado em 2013 para dar apoio aos desempregados da cidade.

Esse projeto, único em Madri, cidade com cerca de 3,2 milhões de habitantes, tem atualmente 70 terapeutas voluntários que atendem 65 desempregados no centro social, onde se reúnem semanalmente por uma hora e meia.

Em abril do ano passado, o Psicologia Solidária criou um segundo grupo para trabalhadores mais velhos, não qualificados e desempregados, no bairro de Manoteras.

O PS também planeja oferecer apoio gratuito a ativistas sociais, em particular defensores de direitos civis que sofreram trauma emocional e violência física ao tentarem impedir a execução de despejos na capital espanhola.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, adultos desempregados correm considerável risco de serem afetados por problemas de saúde mental.

Os efeitos negativos do desemprego estão bem documentados. Depressão, ansiedade, abuso de drogas e baixa autoestima são apenas algumas das consequências de estar sem trabalho, especialmente se por um longo período de tempo.

O objetivo do Psicologia Solidária é ajudar as pessoas a lutar contra esses sentimentos. “Nosso trabalho vai além da terapia. Tem a ver com a política, a transformação, a crítica social e mobilização”, comenta Juan Alvarez-Ude, um dos terapeutas do grupo.

“A experiência em grupo é muito positiva”, diz Rosa Estévez, jornalista que trabalhou durante 25 anos em um diário local até ser demitida recentemente.

“Toda semana nos encontramos com pessoas que têm os mesmos medos. A única coisa que temos em comum é o desemprego: a partir daí se trata de apoiar-nos, de cuidarmos uns dos outros”, afirma Rosa ao Equal Times.

Outro participante revela que as reuniões o estão motivando a tentar reiniciar uma vida ativa. “Estamos em um sistema muito nocivo e o grupo é como um abrigo que nos protege dele”, explica Alfonso Caravaca, ex-proprietário de um restaurante.

Os participantes pagam pela terapia através de um sistema de “bolsa de tempo” (evitam usar o termo “banco de tempo” devido às suas conotações financeiras negativas). Em troca das sessões de orientação psicológica, trabalham em projetos sociais que vão desde gerir a biblioteca pública do La Tabacalera a organizar oficinas de poesia e teatro contra os planos de “enobrecimento” do centro de Madri.

“Ao participar desses projetos, nossos membros conseguem sair do isolamento e criar uma nova rede social”, destaca Alvarez-Ude. E acrescenta: “Tudo isso tem a ver não só com o fato de ter-se ficado sem trabalho e o impacto disso nas relações e nas famílias. Sobretudo no caso dos homens, tradicionalmente considerados os chefes da família, a pessoa sente-se culpada e experimenta um fracasso pessoal, uma carência pessoal”.

Um dos objetivos da terapia, afirma Alvarez-Ude, é ajudar as pessoas a perceber que o problema de sua situação de desemprego “não é um problema individual, mas um problema social e sistêmico”.

Aliviar o sentimento de culpa


A Espanha continua sofrendo o impacto da crise econômica de 2007 – e das posteriores medidas de austeridade.

Números recentes mostram que, no final de 2014, 837 mil espanhóis trabalhavam somente uma hora por semana. Os dados também indicam que um em cada três trabalhadores recebe menos que o salário mínimo de 757 euros por mês.

A crise econômica, combinada com o declínio generalizado na qualidade de vida, tem causado um aumento no percentual da população que sofre de depressão exógena (também chamada situacional ou depressão reativa).

Desde 2007, o número de pacientes que procuram os centros de atenção básica com sintomas de ansiedade ou depressão elevou-se em 10%, de acordo com um relatório publicado pela Fundação Espanhola de Psiquiatria e Saúde Mental, intitulado “Depressão, um desafio para saúde pública na Europa”.

O European Journal of Public Health, por sua vez, assinalou que a depressão clínica tem aumentado, passando a afetar 47% da população em 2010, comparado a 29% em 2006.

A situação é agravada pela escassez de serviços disponíveis para pessoas com depressão, o que torna o trabalho do Psicologia Solidária crucial para seus usuários.

“É muito difícil para as pessoas entenderem o que é estar sem trabalho”, comenta Dacil Martín, uma assistente social de 32 anos. “Elas te veem como um vagabundo. Dizem-me que tenho de ser menos exigente. Aqui pelo menos encontro algum alívio e empatia.”

Os participantes costumam entrar no grupo com um forte sentimento de desespero. O objetivo é que, compartilhando sua dor com pessoas que estão passando por experiências semelhantes, possam se sentir menos angustiados.

“Estou há cinco anos à procura de trabalho e não consegui nada. É natural ter uma visão pessimista do futuro. Mas quando estou com pessoas que se sentem como eu, as coisas mudam por completo”, declara Santiago Occhiuzzi, um dos terapeutas do grupo e defensor dos direitos à moradia.

A experiência desse grupo reflete o profundo impacto gerado pela crise espanhola, especialmente com respeito ao que muitos cidadãos consideram ser uma total falta de compreensão do que as pessoas mais carentes esperam das instituições sociais espanholas.

“O nosso governo não se preocupa com os desempregados”, garante a ex-gerente administrativa Lola Valgar, demitida da loja de departamentos espanhola El Corte Inglés, onde trabalhou durante 25 anos.

“Acreditam que, pagando um auxílio [entre 400 e 800 euros por mês] – uma quantia miserável – está tudo certo. O governo tem que motivar e investir em nossa formação e atendimento psicológico. Mas aqui a única coisa para a qual se tem dinheiro é o resgate dos bancos.”

Tradução Dilair Aguiar




EUA: Sindicatos e movimento Occupy começam a unir forças

 
Por Steven Greenhouse

Após uma atitude inicial de cautela em relação ao movimento Occupy Wall Street (OWS), os sindicatos estadunidenses passaram nas últimas semanas a irrigar os manifestantes com ajuda – barracas, colchões de ar, aquecedores a gás e toneladas de alimentos. Os manifestantes, por sua vez, participam de passeatas e piquetes sindicais em todo o país.

Militantes do OWS e sindicalistas em protesto contra a Sotheby’s
No dia 9 de novembro, militantes do Occupy foram detidos durante uma ação em conjunto com o Sindicato Internacional dos Transportadores (ITU) diante da Sotheby’s, em Manhattan, protestando contra uma medida antissindical adotada pela casa de leilões.

As entidades sindicais, impressionadas pela forma com que os manifestantes do OWS conseguiram inflamar a opinião pública sobre temas que há muito tempo constam da agenda trabalhista, como a desigualdade de renda, também estão começando a adotar algumas das ousadas táticas e a capacidade de mobilização através das redes sociais desenvolvidas pelo movimento.

Dois ativistas sindicais do ITU foram presos por “desobediência civil” no dia 2 de novembro, após conseguirem entrar na Sotheby’s, ludibriando os seguranças, para se manifestar diante dos participantes de um leilão. Uma ação semelhante fora feita por militantes do OWS, que há poucas semanas invadiram dois sofisticados restaurantes de Danny Meyer, membro do conselho da Sotheby’s, realizando um barulhento protesto em plena hora do almoço.

As assessorias de relações públicas das organizações trabalhistas também passaram a usar o Twitter, Tumblr e outras redes sociais de forma muito mais agressiva, após verem como os manifestantes do Occupy mobilizavam apoio através da transmissão em tempo real de fotos e vídeos das manifestações, da repressão policial e prisões. O Sindicato dos Transportadores está atualizando diariamente seu blog, além de publicar no Facebook e Twitter um número maior de fotos de suas lutas contra a BMW, U. S. Foods e Sotheby’s.

"O movimento Occupy mudou os sindicatos", comentou Stuart Appelbaum, presidente do Sindicato dos Comerciários em Lojas de Departamentos, Atacadistas e Varejistas. “Estamos vendo um maior número de sindicatos atuando mais agressivamente na divulgação de suas mensagens e atividades. Vemos mais sindicatos nas ruas, buscando a mesma energia do Occupy Wall Street”.

Após permanecerem muito tempo aferrados a táticas como piquetes, muitos dirigentes sindicais, inspirados pelos protestos do OWS, começaram s falar sobre outros meios de mobilizar as bases, tentando flexionar seus músculos através de grandes e ruidosas passeatas, incluindo manifestações a nível nacional.

As organizações de trabalhadores também procuram aproveitar a simplicidade da mensagem do movimento Occupy, criticando a opulência financeira dos 1% mais ricos do país, em comparação às dificuldades enfrentadas pela ampla maioria dos 99% restantes.

Um recente memorando da maior confederação trabalhista estadunidense, a AFL-CIO, recomendou aos sindicatos que usassem mais amplamente a mensagem sobre a desigualdade em suas comunicações com filiados, empregadores e eleitores.

Essa linha de ação já está sendo usada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação (CWU) em sua batalha pela renovação do contrato de trabalho com o gigante das telecomunicações Verizon. Nas manifestações e piquetes, muitos cartazes denunciam que a companhia e seus executivos regiamente pagos estão entre os 1%, enquanto os trabalhadores – dos quais a empresa exige grandes concessões – fazem parte dos 99%.

"Acreditamos que o movimento Occupy verbalizou algo muito básico sobre o que está acontecendo em nosso país neste exato momento", afirmou Damon Silvers, diretor de política sindical da AFL-CIO. "Consideramos realmente importante e positivo o fato de que eles tenham desenvolvido certos conceitos e a linguagem para fazer isso.”

Desde outubro, os sindicatos têm proporcionado amplo apoio aos manifestantes do OWS em todo o país, desde abrigos de chuva a doações financeiras. O Sindicato Nacional de Enfermagem instalou equipes de primeiros-socorros em muitos acampamentos; os ativistas que ocupam a praça McPherson, em Washington, podem tomar banho e usar as instalações sanitárias da sede da AFL-CIO, situada a dois quarteirões da Casa Branca.

Os sindicatos também estão intercedendo em favor do movimento Occupy perante políticos locais. Em Los Angeles, os dirigentes sindicais mantém o prefeito Antonio Villaraigosa sob forte pressão para não expulsar os manifestantes. Quando as autoridades de Nova York tentaram remover os ocupantes do parque Zuccotti, em outubro, centenas de sindicalistas se concentraram no local antes do amanhecer, para desencorajar o despejo.

Os ativistas do OWS, por sua vez, uniram-se aos militantes sindicais em piquetes diante do hotel Bel-Air em Los Angeles e dos escritórios da Verizon em Washington, Buffalo e Boston. (Um porta-voz da empresa declarou que os manifestantes do Occupy “não têm o benefício de quaisquer informações sobre os problemas da Verizon exceto o que foi dito pelo sindicato, que é obviamente unilateral e muito provavelmente impreciso").

Em Nova York, membros do movimento juntaram-se ao Sindicato dos Transportadores em suas ações contra a Sotheby’s. A casa de leilões está impedindo o trabalho de 43 funcionários especializados no transporte de obras de arte desde 29 de julho, depois que o sindicato rejeitou suas exigências de grandes concessões no contrato coletivo.

Além dos protestos nos restaurantes de Danny Meyer, os manifestantes do OWS participaram de um piquete diante do Museu de Arte Moderna de Nova York. A porta-voz da Sotheby’s Diana Phillips comunicou que a empresa ofereceu um contrato justo e "não está disposta a aceitar exigências que praticamente duplicarão os custos”.

Arthur Brown, trabalhador de saúde mental e um dos fundadores do Occupy Buffalo, com cerca de 50 pessoas acampadas, declarou que o movimento precisa muito do apoio dos trabalhadores para alcançar o objetivo de mudar a política e os políticos do país.

"Os jovens começaram este movimento, mas não podem concluí-lo", observou Brown. "Eles não têm a capacidade ou a experiência para terminá-lo. Nós realmente precisamos do pessoal da classe operária e dos sindicatos, dos mais velhos, dos ativistas dos anos 60, 70 e 80, para ajudar a tornar este um movimento de grande amplitude, o que modificará o cenário político dos Estados Unidos”.

Alguns ativistas do OWS se preocupam com a possibilidade de que o movimento trabalhista tente cooptá-los. Jake Lowry, um universitário de 21 anos, comentou: “estamos contentes em ter os sindicatos nos respaldando, mas não podemos apoiá-los formalmente. Somos um grupo autônomo, e é importante mantermos nossa autonomia”.

Já George Gresham, presidente da unidade 1199 do SEIU, sindicato que representa mais de 300 mil trabalhadores da saúde do nordeste dos Estados Unidos, afirmou que sua entidade quer ajudar o movimento Occupy a ampliar sua voz.

"Este é um sonho que se torna realidade para nós, termos esses jovens falando sobre o que está acontecendo com os trabalhadores”, ressaltou Gresham. Seu sindicato forneceu 500 vacinas contra gripe e refeições para uma semana aos manifestantes do OWS.

Maria Elena Durazo, secretária executiva e tesoureira da Federação Trabalhista do Condado de Los Angeles, comentou que ainda resta a ser visto se os sindicatos e manifestantes poderão, trabalhando em conjunto, conquistar mudanças concretas.

"Os trabalhadores estão com o Occupy nas questões mais amplas; estão com eles na questão da desigualdade”, declarou. "O ponto é: poderá o movimento trabalhista ou o movimento Occupy levar essa mensagem à base, ao local de trabalho, onde os trabalhadores enfrentam baixos salários, escassos benefícios e pouco poder? Podemos usar isto para organizar os trabalhadores onde realmente importa, no local de trabalho, para ajudá-los no dia a dia, na vida cotidiana?"

Tradução: Dilair Aguiar

Fonte: The New York Times (http://www.nytimes.com/2011/11/09/business/occupy-movement-inspires-unions-to-embrace-bold-tactics.html?_r=1&pagewanted=all)

EUA: Hershey's explora participantes de intercâmbio cultural

Para a Hershey’s, intercâmbio dito "cultural" é fonte de mão de obra barata
Por Stephanie Luce

Cerca de 300 estudantes estrangeiros entraram em greve a 17 de agosto em uma unidade do fabricante de chocolates Hershey’s, na cidade de mesmo nome da Pensilvânia onde a empresa foi fundada, em 1876.

Os jovens, a maioria com entre 18 e 19 anos de idade, pagaram de US$ 3 mil a US$ 6 mil para viajar aos Estados Unidos como participantes de um programa de intercâmbio cultural, recebendo os chamados vistos J-1 (autorizações especiais de entrada nos EUA).

Mas, ao invés de terem aulas de inglês ou de conhecerem o país, a empresa subcontratada pela Hershey’s para administrar a fábrica os obrigou a ficar isolados em uma área remota, trabalhando no turno da noite em condições muitas vezes perigosas, além de sofrerem descontos exorbitantes em seus já minguados contracheques.

Dois dias após a greve, visitei Hershey a convite da Aliança Nacional de Trabalhadores Visitantes (AGN), como parte de uma delegação formada por especialistas em direitos trabalhistas e humanos. Entrevistamos estudantes, visitamos um dos apartamentos onde estão alojados e conversamos com sindicalistas locais, além de membros da AGN.

Nos últimos dez anos, estive em vários países e me deparei com trabalhadores vivendo com baixos salários e condições de trabalho degradantes. Mas ainda estou chocada com o que vi em Hershey. Cada estudante que entrevistamos levantava um aspecto diferente da situação a que foram submetidos.

Para uma jovem chinesa, a maior injustiça foi ter sido obrigada a compartilhar um diminuto apartamento de um quarto com outras quatro pessoas: mais duas chinesas e um rapaz e uma moça da Polônia.

Os estudantes foram alojados sem que fosse levado em conta o sexo, idioma ou mesmo turno de trabalho: assim, alguns que trabalhavam de madrugada tinham de dormir na sala, enquanto outros preparavam o jantar na cozinha, ao lado de suas camas.

Para mim, o mais revoltante é que cada um deles tinha de pagar US$ 400 por mês para viver nessas condições, proporcionando à companhia $ 2.000 descontados diretamente de seus contracheques. O aluguel de um apartamento de dimensões semelhantes na região fica em torno de US$ 600 mensais.

Outros estudantes denunciaram as péssimas condições de trabalho. Eles foram obrigados a trabalhar cada vez mais e mais rápido, carregando caixas de chocolates com mais de 20 quilos e empilhando engradados em alturas superiores às suas cabeças – numa média de 60 a 70 por dia.

O trabalho era muitas vezes perigoso. Uma estudante disse ter desmaiado, devido ao esforço; outra relatou que tinha de se esquivar de empilhadeiras enquanto colocava as caixas de chocolates em embalagens de plástico.

Alguns deles tentaram falar com a gerência da fábrica e com a agência responsável pelo programa (Council on Educational Travel/EUA) sobre a possibilidade de se mudarem para locais mais baratos ou conseguirem melhores empregos, mas foram repreendidos e até mesmo ameaçados de deportação.

Intercâmbio cultural: forma de obter mão de obra barata
 
O programa de Viagens para Trabalho de Verão foi criado durante a Guerra Fria como meio de promover o modo de vida estadunidense entre estudantes estrangeiros. Atualmente, envolve cerca de 130 mil alunos de 2º grau ou superior, destinando-os a ocupações mal remuneradas, além de mais 200 mil com vistos J-1 concedidos para estágios ou treinamento profissional.

Ao contrário de outros programas de trabalhadores-convidados, as empresas que recorrem aos J-1 não precisam anunciar previamente as vagas – que só podem ser ocupadas por estrangeiros se nenhum estadunidense se candidatar a elas. Além disso, não há limite para o número de vistos J-1 emitidos.

Quando os estudantes começaram a se organizar, lhes disseram para não entrar em contato com a NGA, e alguns foram alertados que as greves são ilegais nos Estados Unidos. Outros ouviram a ameaça de que, se protestassem, jamais seriam autorizados a entrar novamente no país.

A empresa subcontratada informou que não mais usará os J-1 para preencher postos de trabalho, e a Hershey’s ofereceu aos estudantes uma semana de férias remuneradas, para que pudessem viajar. Mas eles afirmam que essas concessões não são suficientes, reivindicando que as vagas sejam ocupadas por trabalhadores locais, com salários dignos, e que o fabricante de chocolates concorde em pôr fim à exploração dos estudantes-trabalhadores. A empresa não respondeu a essas exigências.

“Algumas das tarefas destinadas aos estudantes eram antes desempenhadas por trabalhadores sindicalizados”, disse Diane Carroll, secretária-tesoureira do Sindicato dos Trabalhadores de Confeitaria (BCTGM). “Mas a Hershey’s passou a recorrer a subcontratadas para dirigir a fábrica, evitando os sindicatos e mantendo uma inesgotável suprimento de estudantes-trabalhadores”.

Os departamentos de Estado e do Trabalho, assim como a Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA), iniciaram uma investigação sobre o caso. Alguns estudantes retornaram à fábrica, mas insistem em manter um ritmo de trabalho adequado e estão prontos para registrar e denunciar qualquer nova violação.

Um grupo de 30 estudantes, a convite da NGA, viajará pelos Estados Unidos para falar sobre o que ocorreu na Hershey’s e participar de atos em diversas entidades sindicais e organizações como a Estudantes Unidos contra a Exploração (USAS) e Empregos com Justiça, entre outras.

Stephanie Luce é professora do Instituto Murphy da Universidade Municipal de Nova York 


Tradução: Dilair Aguiar

Fonte: Labour Notes (http://labornotes.org/print/2011/09/hershey-still-silent-after-student-guestworkers-strike)

México: Continua luta por sindicato independente na Honda

No início de setembro, os operários da Honda no México conseguiram o reconhecimento jurídico para o registro do Sindicato dos Trabalhadores Unidos da Honda do México (STUHM) como seu representante legítimo.

A empresa se opõe à organização e prefere o sindicato “de proteção” (entidades de fachada, que defendem os interesses patronais) que há 26 anos impede atividades sindicais independentes nas instalações da Honda em Jalisco, na região central do México.

Os trabalhadores da Honda, dos quais cerca de 400 estão filiados ao STUHM, denunciam agora a contínua repressão e intimidação por parte da companhia contra o sindicato e os operários que querem se sindicalizar.

O STUHM se empenha em obter o reconhecimento oficial desde sua criação, em 2009. As más condições de trabalho, o assédio, os baixos salários e a falta de um verdadeiro sindicato para defender os 1.200 operários são as principais causas dessa luta, que já levou à demissão de vários jovens dirigentes sindicais.

A 28 de janeiro, a Magistratura Distrital do Trabalho determinou que o secretário do Trabalho concedesse o registro do STUHM. A Honda recorreu, mas a decisão foi confirmada pelo tribunal a 18 de agosto.

O secretário-geral do sindicato, José Luis Solorio Alcalá, recordou que o registro do sindicato vinha sendo sistematicamente negado, através de subterfúgios jurídicos e práticas ilegais e corruptas.

O STUHM considerou a decisão do tribunal “uma vitória histórica para a classe trabalhadora de Jalisco”, pois se trata da primeira vez que um sindicato independente é reconhecido nesse estado mexicano.

Apesar da determinação judicial para o registro do sindicato, a 6 de setembro a Honda demitiu mais dois operários, José Lamas e Héver Gallardo, por declararem abertamente que eram filiados ao STUHM. Ambos trabalhavam há mais de cinco anos na fábrica, e exerciam seu legítimo direito de sindicalizar-se.

Outros trabalhadores denunciaram que a gerência persegue e tenta intimidar os operários, oferecendo-lhes subornos e benefícios financeiros caso concordem em deixar o sindicato.

O STUHM continua organizando e defendendo os direitos dos trabalhadores, e reivindica um reajuste salarial de 30%. A Honda paga os salários mais baixos do setor, em média mil pesos semanais (cerca de R$ 137), aos trabalhadores qualificados, “os salários mais miseráveis da indústria automobilística”, como afirmou um sindicalista.

“Queremos apenas acabar com a miséria em que vive a maioria dos trabalhadores”, ressaltou o STUHM em um comunicado oficial.


Sindicatos “de proteção” geram pobreza

O advogado do STUHM, Jaime Hernández, assinalou que em Jalisco quase um milhão de pessoas trabalham em cerca de 80 mil companhias, mas estas “são controladas por mais de 1.500 sindicatos corporativos e de corte antidemocrático, que oferecem proteção aos empregadores, como é o caso da Honda do México”.

“Se no México não existisse esse tipo de sindicalismo e a liberdade sindical fosse respeitada, teríamos as bases de uma sociedade democrática e de um Estado de Direito pleno”, agregou o advogado, indicando que os contratos de proteção “geram pobreza extrema e concentração de renda”.

Os comentários de Hernández, feitos durante uma entrevista à empresa realizada pelo STUHM, foram apoiados por Pete de May, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Unidos da Indústria Automotriz. Dirigindo-se aos trabalhadores ainda submetidos a sindicatos “de proteção”, May afirmou que “há maneiras de sair disso, e nos comprometemos a dar apoio a essa luta”.

“Por muito tempo, sindicatos pelegos como o CTM de Jalisco formaram parte de uma máfia, junto com a Secretaria do Trabalho e Previdência Social e as empresas estrangeiras, para negar à classe trabalhadora mexicana uma compensação justa por seu trabalho”.

May acrescentou que a remuneração dos operários mexicanos “está muito abaixo em comparação aos salários na América do Norte e Brasil”, ressaltando que “para alcançá-los, seriam necessários aumentos em torno de 700%”.


Tradução: Dilair Aguiar

Fonte: http://www.imfmetal.org/index.cfm?c=27614&ol=28

Egito: Professores realizam primeira greve nacional desde 1951

     Docentes querem piso salarial e melhores condições de ensino
Professores das escolas públicas de todo o Egito iniciaram uma greve geral dia 17 de setembro – quando começa o ano letivo no país – reivindicando, entre outros pontos, melhores salários, um plano de reforma do ensino, mais verbas para a Educação e o expurgo de funcionários envolvidos em corrupção.

Trata-se da primeira paralisação dos docentes egípcios em escala nacional desde 1951, quando o país ainda estava submetido ao regime colonial britânico.

“A greve é total nas províncias de Porto Said, Kafr El-Sheikh, Suez, Cairo do Sul, Sinai do Sul e Qina, e parcial no Cairo Central, Qaliubiya, Luxor, Beni Suef, Tanta, Gizé e Assuã”, informou Shaimaa Said, coordenador do comando de greve do Sindicato Independente dos Professores (ITS).

De acordo com o Centro Egípcio para Direitos Econômicos e Sociais (ECESR), mais de 60% dos professores cruzaram os braços; já para o Ministério da Educação, não mais que 2,6% das escolas estão em greve.

"Quando os professores viram que nossas reivindicações não receberam atenção nos últimos meses e se iniciaria o ano letivo, decidiram aderir. Se isso continuar, mais adesões devem ocorrer durante a semana”, declarou Ashraf Hefny, coordenador do ITS na província de Sinai do Norte.

O sindicato advertiu que a greve continuará por tempo indeterminado, até que o governo dê uma resposta satisfatória às suas demandas.

Entre as reivindicações se inclui a exoneração de funcionários corruptos do Ministério da Educação e da rede de ensino em geral. O ITS quer especificamente o afastamento do atual ministro da Educação, Ahmed Gamal al-Din Moussa, que, embora tenha assumido o cargo após a queda de Osni Mubarak, em fevereiro passado, “não tomou iniciativa alguma para levar o ensino a uma nova era”, afirmou Hefny.

O sindicato também exige um aumento na dotação orçamentária nacional para a Educação a 20%, contra os atuais 8%, assinalando que as verbas para o ensino têm diminuído nos últimos 20 anos. Em 1998, os recursos correspondiam a 10,8% do orçamento egípcio.

Além disso, o ITS está empenhado em combater o que considera corrupção institucionalizada, incluindo o desvio de verbas da Educação para a "segurança política". "Precisa acabar o desvio de parte do orçamento do ministério para financiar a força policial”, disse o coordenador sindical, ressaltando que essa prática foi mantida mesmo depois da saída de Mubarak.

O sindicato denuncia ainda numerosas ações corruptas envolvendo o Ministério da Educação, desde a falsificação de despesas em departamentos ministeriais à alocação de verbas em áreas desnecessárias.

Representantes do Ministério da Educação negam irregularidades. "Se as alegações do ITS são verídicas, então devem ser apresentadas ao Ministério Público", afirmou o chefe do setor de Ensino Público do ministério, Reda Mosaad, à emissora de TV Mehwar.

Em termos salariais, a reivindicação mais imediata dos professores é o reajuste do piso da categoria para 3 mil libras egípcias (cerca de R$ 918), junto ao pagamento de prometidas bonificações a todos os trabalhadores do setor público.

“Trabalho como professor há 28 anos, e ganho menos de mil libras por mês. O Ministério da Educação está abarrotado de consultores com salários altíssimos, enquanto os professores recebem quase nada. Não é justo que algumas pessoas ganhem 100 mil libras, enquanto os professores têm um salário tão pequeno”, disse um grevista na cidade de Fayyum.

O ministro da Educação indicou porém que o aumento dificilmente será conseguido. Numa entrevista ao jornal Rose al-Yousef na semana anterior à greve, Moussa disse que “não sou o Super-Homem para pedir um piso de 3 mil libras para os professores”.

Integrantes do ITS e de outras entidades de professores queixam-se de que os órgãos do governo estão tratando suas reivindicações como uma questão puramente financeira. "O ministro nos disse que nossas demandas têm de passar pelo Ministério das Finanças", comentou Ayman al-Beialyato, um dos porta-vozes do sindicato.

Os sindicalistas também deixaram claro que qualquer conquista financeira dos professores deve estar aliada a melhorias gerais nas condições e práticas de trabalho. Além dos baixos salários dos docentes, o ensino no Egito tem sido gravemente afetado pela precariedade das escolas públicas.

"Como os professores podem realizar seu trabalho com classes cujo tamanho varia entre 60 e 100 alunos, e ainda ter de conseguir alguma outra fonte de renda, como dar aulas particulares, apenas para pagar as contas no final do mês?”, ressaltou Iman Hafez, líder da Comissão de Professores de Gizé.

"Estes protestos estão muito relacionados a como restaurar a dignidade de vida dos docentes, permitindo-lhes ser melhores professores", acrescentou.

Fontes do comando de greve denunciaram que muitos professores estão sendo pressionados a retornar às aulas, recebendo ameaças de serem submetidos a inquéritos administrativos – o que poderia levar a demissões.

O presidente do ITS, Hassan Ahmed Ali, relatou ao jornal Al-Masry Al-Youm que funcionários do ministério estão percorrendo as escolas paralisadas, tentando dissuadir os professores de prosseguir o movimento e instruindo os diretores a punir os grevistas com sanções arbitrárias. “Também foram enviados agentes de segurança para tentar intimidar os professores”, advertiu Ali.


Tradução: Dilair Aguiar

Fonte: http://www.almasryalyoum.com/en/node/497448

Finlândia: Movimento sindical rejeita intervenção da UE em negociações coletivas nacionais

O plano da União Europeia de assumir o controle sobre negociações coletivas realizadas em seus estados-membros enfrentará a firme oposição do movimento sindical finlandês. Esta foi a advertência feita pelo presidente da Confederação Finlandesa de Profissionais (STTK) e membro da diretoria da Confederação Sindical Europeia (ETUC), Mikko Mäenpää, numa entrevista concedida dia 21 de fevereiro a uma rádio de Helsinki.

O dirigente sindical conclamou os políticos finlandeses a lutar para que a UE não intervenha em questões trabalhistas nacionais. “A interferência nos níveis de negociação e salários será um passo na direção errada, e enfrentará a oposição de todo o movimento sindical”, alertou.

A primeira ação concreta nesse sentido ocorreu no pacote de resgate para a Irlanda, no qual foi incluída uma cláusula determinando corte no salário mínimo, somando-se à iniciativa da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarkozy para “harmonizar” as políticas tributária e de pensão europeias.

“Não nos opomos ao desenvolvimento da vida dos trabalhadores da Europa em uma direção mais unificada, mas isso deve ocorrer através de procedimentos regulares, baseados em diretrizes”, frisou Mäenpää.

Referindo-se à reunião dos ministros das Finanças da UE programada para meados de março, o diretor da ETUC disse esperar que o ministro finlandês Jyrki Katainen “não apoie iniciativas que permitam à Comissão Europeia decidir sobre políticas de negociação coletiva e pensões”.

Tradução: Dilair Aguiar 


Egito: Operários da maior fábrica do país conquistam aumento salarial e demissão de gerente corrupto

Cerca de 15 mil operários da Misr Spinning and Weaving, a maior fábrica do Egito, encerraram domingo (20) uma greve, após terem suas reivindicações atendidas. Os trabalhadores estavam concentrados desde quarta-feira (16) diante do prédio da administração da fábrica estatal de fiação e tecelagem, situada na cidade de al-Mahalla al-Kubra, no Delta do Nilo, desafiando advertências da junta militar de que as paralisações não seriam mais toleradas.

“Nós terminamos a greve, a fábrica está funcionando. Nossas reivindicações foram atendidas", informou Faisal Naousha, um dos líderes da paralisação, declarando que os operários conquistaram um aumento de 25% nos salários e a demissão de um gerente envolvido em corrupção.

tanque diante da Misr
Tanque controla entrada da fábrica Misr, ocupada por milhares de operários

A paralisação chegou ao fim dois dias após o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder no país com a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no dia 11, ter advertido na sexta-feira (18) que as greves estavam prejudicando a segurança nacional e não seriam mais toleradas, elevando o tom de dois comunicados anteriores.

Alguns grupos “organizam protestos que impedem a produção e geram condições econômicas críticas, que podem levar a um agravamento da economia do país”, alertou a nova nota da junta militar. “A continuação da instabilidade e suas consequências acarretarão prejuízos à segurança nacional”.

Os cerca de 24 mil trabalhadores da Misr cruzaram os braços no dia 10, em apoio às manifestações contra Mubarak, que renunciou no dia seguinte após mais de duas semanas de intensos protestos em todo o Egito. Os grevistas, que reivindicam aumentos salariais e o afastamento da direção da empresa, suspenderam a paralisação por algum tempo, mas a reiniciaram na quarta-feira (16).

Além de retomarem a greve, os operários da Misr – a maior fábrica da indústria têxtil egípcia, setor que emprega 48% da força de trabalho do país – iniciaram a coleta de assinaturas para a criação de um novo sindicato, desvinculado da Federação Sindical Egípcia (ETUF), subordinada ao governo. O site ahramonline informou que mais de três mil trabalhadores já haviam assinado a petição até quinta-feira (17).

Mahalla, berço de rebeliões
 
Al-Mahalla, situada a cerca de cem quilômetros ao norte do Cairo, foi palco de uma vitoriosa paralisação em setembro de 2007, quando os trabalhadores cruzaram os braços reivindicando um aumento na participação nos lucros e a destituição dos administradores da empresa. O governo cedeu após seis dias de greve, exonerando o gerente-geral. O líder do sindicato local, contrário ao movimento, foi agredido pelos operários ao tentar convencê-los a abandonar a greve, renunciando logo em seguida.

Em fevereiro de 2008, grupos de esquerda promoveram a maior manifestação de trabalhadores contra Mubarak desde que este assumiu o poder, em 1981. Cerca de dez mil operários da Misr saíram às ruas, com a adesão de milhares de moradores, exigindo aumento no salário mínimo e gritando palavras de ordem contra o presidente e seu filho Gamal, que estava sendo preparado para sucedê-lo.

No mês seguinte, os trabalhadores anunciaram que pretendiam paralisar a fábrica pela terceira vez em menos de dois anos, e grupos oposicionistas convocaram uma greve geral. Para impedir o movimento, forças de segurança assumiram o controle da tecelagem e milhares de policiais ocuparam al-Mahalla a 6 de abril de 2008. A ação repressiva provocou porém a irrupção de manifestações espontâneas por toda a cidade, com milhares de pessoas saindo às ruas para protestar contra o presidente, a corrupção e os aumentos dos preços.

A polícia atacou com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e tiros, matando dois jovens, um de 15 anos de idade e outro de 20. Centenas de manifestantes foram presos e dezenas ficaram gravemente feridos. A data foi recordada pelos jovens que formaram o Movimento 6 de Abril, organizador da primeira manifestação em massa contra o regime de Mubarak a 25 de janeiro.

Tradução: Dilair Aguiar 

Fontes: